
O poeta
O poeta
Aquele que te toca
Feche-se em quatro paredes
A-m-e, b-r-i-n-q-u-e
R-i-a, saiba que quando ri ninguém chora
Quando o eco volta
Rui no enorme salão
O apartamento
Sala pequena
Claustrofobia
Claustrofóbico
Medo, menos, minto
Mente incerto da certeza
Ronda a vida certa
De certa a incerta
Certeza, tristeza
Dor do coração
(Eu na prisão)
O velho conceito da razão
Prende, mente
Prende a mente
Vozes soltas borbulham borbulhos de borbulhar
Loucura, sombras
Quase louco, o poeta se sente preso
Preso pelas palavras
Um escravo
Salão cheio, agitação
Medo, tristeza, ódio
Suor na página em branco
As palavras caem soltas e espalham-se pelas páginas
desordenadas
O poeta então para.
Pensa.
E recomeça.
Triste, o poeta consente.
Consente da vida ciente
Ciente da inconsciente certeza onisciente
Chora o poeta
Pois o poema
Sua vida
O papel, o lápis
O choro, o riso
Escorrem pelo ralo
E não mais voltam.
A tela branca, o destino
Apenas o tempo os fará voltar
Ó inocente menino inconsciente
Tristeza que se aprisionou no papel
As lágrimas: borrões no branco
Sua sanidade: quase inexistente
O leite, a mãe
A vida
Inferno de viver
Infelicidade de morrer
Poeta escreve louco
Seus sentimentos poucos
Seus instintos
O poeta se desafia:
Levanta e vai embora
Vai viver a vida
Não pela tinta
Nem pelo grafite
Mas por si.
*Mirna Mendonça e Silva - Com este “O Poeta”, conquistou o 1º Lugar
na Categoria Poesia, no Concurso Literário 3º Troféu Formiga de Letras
do CLMM - 2014.