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A menina do outro lado da rua


A cidade se agita
Em stress, correria
Ao som do apito que apita
A partida de quem sorria
Corremos ludibriados
Com pressa, agonia
Sem nem mesmo olhar para os lados
Atravessamos a estrada da boemia
Andando depressa de mala na mão
Atrasado, mesmo sem hora
Ouço o barulho do trovão
Estou parado em lugar seco agora
Vendo o movimento desta cidade louca
Que continua mesmo na chuva
Onde as pessoas de alma oca
Não parecem conhecer ternura
E nessa visão selvagem e molhada
Eis que avisto
Ela, arrebentando a rima,
Dispenso verso e poesia
Métrica
É única, andando
Na chuva, os cabelos escorrendo
Os pingos delicados escrevendo pela boca
Tiro os olhos, não tenho tempo
Estava fixado naquela moça
Paro e me acalento
Sua pele, branca como louça...
Sentada do outro lado da rua, fone
No ouvido
Escutando sua música indie
Com o mundo todo nos olhos
Suas roupas,
Pouco convencionais, não
Combinavam com a chuva, mas
Certamente
Combinavam com ela
Em toda a sua imperfeição perfeita
Paro. Não posso me distrair
Desatento, parei métrica e rima
Não acho que vou conseguir
Continuar agora em minha vida
Paro rima e métrica. Não
Me importo.
Levanto-me e vou para lá
Imperfeito e encantado
Me atraíram suas lindas falhas...
Desisto da minha vida perfeita
E vou viver ao seu lado
Distraído em música indie...

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